Semana de Ciência e Tecnologia

As pesquisas e descobertas da 12ª Feira de Ciências da Unesc

Evento envolve cerca de 13 escolas, 30 professores e 150 alunos com a apresentação de 44 trabalhos classificados

Décio Batista

Publicado por: Décio Batista

em 29 de outubro de 2026

Tempo de leitura: 8 minutos.

As pesquisas e descobertas da 12ª Feira de Ciências da Unesc

Quando a curiosidade ganha espaço, as salas de aula transbordam e a ciência ganha rosto, voz e coração. No Ginásio de Esporte José Antônio Carrilho, o burburinho de vozes jovens antecede a certeza de que o conhecimento está vivo. Realizada durante a 17ª Semana de Ciência e Tecnologia, a 12ª Feira de Ciências da Unesc reuniu mais do que estantes e cartazes: reuniu vidas em transformação.

A missão do evento é simples no conceito, mas profunda no impacto. O objetivo é abrir as portas da Universidade para que alunos da Educação Básica compartilhem suas produções de ensino e pesquisa com toda a comunidade acadêmica e escolar. Das Ciências Biológicas à Literatura, da Matemática à História, todas as áreas do saber têm espaço neste universo.

"A feira tem a missão de trazer as escolas da região para divulgar os trabalhos desenvolvidos. A ideia é que essa nova geração de alunos entre na universidade com seus projetos e compartilhe suas produções. Eles têm uma qualidade acadêmica muito legal e percebemos o crescimento acadêmico dos alunos ao longo dos anos. E há também esse movimento fundamental dos professores, que aproximam a ciência da escola e qualificam todo o processo educativo", destaca uma das coordenadoras do evento, Mainara Figueiredo Cascaes.

Nesta edição, a feira atingiu o marco expressivo de 44 trabalhos inscritos, vindos de 13 escolas. Mais do que os números, o que impressiona é a expansão territorial e o alcance social. Participaram instituições municipais, estaduais e particulares, incluindo delegações de municípios que nunca haviam marcado presença, como Maracajá, Sombrio e Araranguá.

Para estar ali, cada grupo passou por um rigoroso processo de seleção, com envio de resumos avaliados por uma comissão científica. O resultado foi uma amostragem vibrante do empenho de estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental até o 3º ano do Ensino Médio.

Para a também coordenadora da Feira, a professora Morgana Cirimbelli Gaidzinski, o sentimento que predomina é a emoção ao ver a virada de chave no comportamento dos estudantes. "A realização desta Feira de Ciências é sempre um momento muito importante e emocionante. É uma oportunidade para vermos os alunos deixarem de ser apenas espectadores. Na feira, eles se tornam protagonistas do próprio conhecimento. Os alunos, que normalmente acompanham as aulas na rotina tradicional, trazem o que produziram para compartilhar com todos os visitantes", ressalta Morgana.

A força de casa

O sentimento de pertencimento e descoberta marcou a participação dos alunos do Colégio Unesc. A diretora da instituição, Marcela Gava, celebrou o empenho demonstrado desde as primeiras etapas de preparação dos projetos práticos e investigativos desenvolvidos ao longo do trimestre.

"Acompanhamos nossos alunos, com grande desenvoltura, desde o início, vendo a criatividade e o trabalho em equipe florescerem, culminando hoje na postura e na oratória das apresentações. Reconheço o trabalho brilhante de nossas professoras, professores e da equipe profissional, que estimularam projetos tão importantes para o contexto em que vivemos", parabenizou a diretora.

Nos bastidores dessa orientação está a professora Viviane Mottin, que leciona Ciências do 6º ao 9º ano e também atua no itinerário formativo de Ciências da Natureza no Ensino Médio. Coordenando cerca de 14 projetos do colégio na feira, ela descreve a diversidade de temas trazidos pelos jovens.

"Temos trabalhos sobre vários temas, desde o sistema planetário até a reutilização de tecidos. Nossos alunos demonstram iniciativa e protagonismo, além de apresentarem opiniões próprias. Trazer temas de acordo com os interesses deles torna o processo extremamente produtivo e significativo para o desenvolvimento pessoal. Essa experiência vai muito além da nota escolar", explica Viviane.

Pontes regionais

Para quem viajou quilômetros para estar em Criciúma, a feira representou uma janela de oportunidades. É o caso da delegação do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Campus Sombrio, liderada pelo professor de Informática Victor Martins de Souza.

"É uma oportunidade fantástica para eles interagirem com estudantes de outras escolas. Somos do Extremo Sul Catarinense e viemos para um evento muito grande, com a possibilidade de conhecer projetos incríveis. Achei o evento excelente. Com certeza vou tentar voltar no ano que vem com outros estudantes, mais gente e novos trabalhos", comentou Victor, encantado com a estrutura e o nível das trocas realizadas.

Os alunos de Victor trouxeram à feira uma solução tecnológica voltada à inclusão educacional: uma plataforma de estudos criada para auxiliar estudantes do Ensino Fundamental que desejam ingressar no Ensino Médio Integrado dos Institutos Federais.

"É um ambiente completo, não apenas um simulado. A plataforma reúne questões de exames anteriores, mas agrega metodologias ativas, flashcards e trilhas de estudo personalizadas para ajudar na aprendizagem”, acrescenta.

Da dor pessoal à pesquisa que transforma

Entre os 44 estandes da feira, um projeto em especial chamou a atenção pela profundidade e maturidade. Desenvolvido por estudantes do 6º ao 9º ano da Escola Municipal de Educação Básica Judite Duarte de Oliveira, de Criciúma, o trabalho intitulado "Câncer e Estilo de Vida" chamou a atenção pelo rigor e pela carga humana.

A auxiliar de direção da escola, Patrícia da Rosa, conta com orgulho que a instituição marcou presença na Unesc com oito trabalhos. O projeto sobre o câncer, no entanto, já alçava voos ainda maiores: enquanto parte da equipe apresentava o estudo na Universidade, outra parte viajava a Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, para expor na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), uma das maiores feiras de tecnologia e ciência da América Latina. "Esse trabalho foi o vencedor e destaque absoluto entre 47 projetos da nossa feira interna, a MostraJu, realizada em agosto", destaca Patrícia.

Por trás do rigor científico da pesquisa, há a motivação. O estudante Gabriel Vitor Anibal Elias, de 15 anos, ao lado do colega Elemar Machado Neto, um dos cinco jovens pesquisadores do grupo, explica com maturidade o que os levou a se aprofundar no tema.

"Pesquisamos sobre o câncer e o estilo de vida para tentar entender melhor como essa doença funciona. É uma doença muito trágica, que acaba levando muitas pessoas, às vezes de forma inesperada. Concluímos que os hábitos de vida estão entre os fatores determinantes. Embora seja uma doença complexa, que se multiplica com facilidade e não tenha uma solução simples, adotar uma vida saudável, evitando o cigarro e o consumo de bebidas alcoólicas, é uma forma real de prevenção", ensina o jovem.

Quando questionado sobre o motivo de terem escolhido um tema tão denso em vez de assuntos mais triviais, Gabriel faz uma pausa e revela a essência que movimenta a verdadeira ciência: a empatia. "Foi por causa de acontecimentos trágicos envolvendo alguns familiares dos integrantes do grupo. Boa parte de nós teve ou tem parentes com câncer ou que foram vítimas da doença", compartilha o estudante.

 

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